20 abril 2008

Cores

Parecia uma pessoa comum. Dessas que você conhece e vê logo a pintura pronta como se a idéia criada na sua mente sobre aquele alguém fosse a realidade. Aí você acha que a pintura está pronta e não precisa de novas cores, novos contornos. Desta vez foi engano. A pintura começou a perder o foco. Era como se o que fora evidente se tornasse duvidoso, incerto. Aí não tem como fugir. É pegar a tinta branca e começar tudo de novo. E não era mais uma pessoa comum. Foi preciso estudar as mais variadas tonalidades e criar cores pra, de fato, pintar o que eu vejo. Mas vontade de desenhar à lápis, antes de ter certeza, nem apareceu. Foram pinceladas firmes. Não digo que está pronta. São feitos retoques diários. Às vezes um retoque é desfeito, e logo em seguida, refeito. Acho que nunca vou conseguir terminar de pintar. Acho que nunca vou pintar como, de fato, é(s). Mas o bom é saber que tenho a chance de olhar para as cores todos os dias e sentir a harmonia entre elas e o meu olhar.

23 março 2008

Decisão

Diante do fracasso (quase) completo da minha carreira de contadora de estórias fica estabelecido que nunca mais escreverei estorinhas engraçadas/infantis.

E não chorem, nem me peçam para escrever que não vai adiantar! hahaha


E tenho dito!


Atenciosamente,

a autora deste.

12 fevereiro 2008

Nizclau e a Formiguinha [Capítulo VIII]

À tarde Clovinho foi visitar Nizclau, pois sabia que ele estaria triste com a morte de Gorila. Ele mesmo estava, já havia brincado tanto com o peixinho que se tornara seu amigo também. Vinha pelo jardim saudoso e tão distraído que tropeçou numa pedrinha e quase caiu. Mas logo se refez e entrou na casa de Nizclau. Para sua surpresa, contudo, o encontrou animado, em seu quarto, falando com Jacaré e Passarinho.
- Nizclau, eu soube de Gorila, como é que você tá?
- Eu tô triste, mas depois que eu conversei com Fasù fiquei mais tranquilo, ela me contou que o céu dos peixinhos é... - Clovinho logo o interrompeu:
- Essa história da Formiguinha de novo, Nizclau?! Você não acha que está exagerando muito dessa vez, não?!
- Não, Clovinho, é verdade, vem aqui fora que eu vou te apresentar pra ela!!
Clovinho parecia aborrecido, não entendia como Nizclaudinho insistia com essa história. Quando chegaram ao jardim Nizclau começou a gritar:
- Fasù, Mers Fasù!! Cadê você?? Eu quero te apresentar pro meu amigo Clovinho!!
Naquele instante dezenas de formiguinhas começaram a andar em direção a Nizclaudinho, e clovinho ficou espantado.
As formiguinhas pareciam agitadas, mas Nizclau não podia ouvi-las, não conseguia ver Fasù e teve uma idéia:
- Formiguinhas, eu sei que vocês podem me ouvir e que gostariam que eu também as pudesse ouvir, mas infelizmente eu só consigo ouvir a voz de Fasù, alguma de vocês pode ir chamá-la para eu apresentá-la pro meu amigo Clóvis?
Clovinho não sabia o que fazer quando viu aquele exército de formiguinhas correndo para o formigueiro.
- Tá vendo como eu não inventei nada?!
- Mas... como... como elas escutam??
- Não sei, mas Fasù me falou que todas elas escutam, mas fingem que não escutam pra se protegerem.
Clovinho não sabia o que dizer quando viu uma Formiguinha se aproximando de Nizclau, seguida por dezenas de outras.
- Fasù, eu quero te apresentar pro meu amigo Clovinho!
- Olá Clovinho, é um prazer conhecer o amigo de Nizclaudinho.
Clovinho permanecia calado.
- Anda Clovinho, responda, não seja mal educado!!
- Responder o quê?
- Você não escutou??
- Não! Agora vai dizer que essa Formiguinha falou comigo?
- Claro que sim, e seja cortês, porque ela esta ouvindo tudo o que você fala!
- Ah, Nizclaudinho. Só porque você encontrou um jeito de mandar essas formigas pra dentro do formigueiro todas juntas num quer dizer que elas falem com você, eu não acredito nisso!!
- Só quem fala comigo é Fasù, Clovinho, as outras eu não consigo escutar, mas se você não acredita eu não posso fazer nada! Mas Fasù me pediu pra te dizer pra prestar mais atenção no caminho e não ficar tropeçando por aí!
Clovinho sabia que não havia ninguém no jardim quando chegou, o portão estava aberto, como sempre e Nizclau estava no quarto... Como ele poderia saber?? Será que a Formiguinha falava de verdade??
Nizclau observava Clovinho, que de assalto, falou:
- Pergunta pra ela se no jornal do Formigueiro eles noticiam casos de morte por pisoteamento humano.


Fim

10 fevereiro 2008

Nizclau e a Formiguinha [Capítulo VII]

Naquele dia Nizclau voltou da escola mais cedo. Não correu para o seu quarto nem alimentou os peixinhos. Não ganhou o beijinho da sua mãe nem lavou as mãos. Soltou a mochila no chão logo que passou pelo portão e sentou no jardim com o olhar perdido. Queria só que o tempo passasse. Estava absorto em suas lembranças quando ouviu Fasù o chamando bastante entusiasmada:
- Nizclau! Eu preciso te contar uma coisa impressionante. Agora lá no formigueiro todos conhecem você e estão ansiosos querendo falar com você pra saber se você pode escutá-los também!!
- É? - Nisclau respondeu desanimado.
- É, mas o que houve? A professora não gostou do seu trabalho?? Ah, não fica assim não, essas coisas sempre se ajeitam, além do mais você é um menino muito esperto e eu tenho certeza - Fasù falava sem parar quando foi interrompida por Nizclaudinho.
- Não, Fasù, não é nada disso, não! Tia Valéria gostou muito do meu trabalho, eu até te procurei ontem pra te contar.
- Que bom! Então o que houve? Por que você está tão triste?
- O Gorila, Fasù... ele morreu.
- Gorila, como assim? O Gorila do zoológico morreu??
- Não, Fasù! Meu Gorila, meu peixinho Gorila se foi. Minha mãe falou que ele foi pro céu dos peixinhos, mas eu sei que num existe céu dos peixinhos...
- Como não?? Claro que existe, aliás, não é querendo te desanimar ainda mais, não, mas o céu dos peixinhos é muuuuito maior - e melhor - que o teu aquário, sabia?
- Sério?? Como você sabe disso? Você é uma Formiguinha!!
- Sou uma formiguinha, mas já conversei com muitos animais, inclusive com um sapo há muitos opizens atrás e ele me contou tudo sobre seus amigos peixinhos.
Nizclau parecia desconfiado, mas Fasù continuou:
- Ele disse que os peixes nascem de ovos...
- Eu sei que eles nascem de ovos, Fasù! - interrompeu Nizclau.
- Então! E disse também que quando eles ainda são bebês e estão nos ovos eles ficam no céu dos peixinhos.
- Sério?? - Nizclau parecia incrédulo.
- Sério! Até que eles nascem vivem aqui na Terra e quando morrem voltam para o céu dos peixinhos!
- Então eu vou correndo contar pra Jacaré e Passarinho que Gorila foi pro céu dos peixinhos! E saiu correndo entrando na casa em direção ao quarto.

04 janeiro 2008

Sempre ele!

Tem gente que pensa que amor é, simplesmente, uma palavra bonita formada por quatro letrinhas. Outras pessoas pensam que amor é o que aparece nos filmes, quando o casal de superstars dá o beijo e os créditos começam a aparecer ao som daquela baladinha que vai se tornar pop justamente porque tocou no filme do Ashton Kutcher. Há ainda quem pense que o amor é o pote de ouro no fim do arco-íris. Eu não me acho melhor do que ninguém. Cada pessoa é única nas suas experiências, princípios e conclusões acerca da vida. Mas pra mim, amor é cada detalhe do dia-a-dia. É sentir que embora saibamos que nem tudo que planejamos se torna real, há coisas que acontecem independentemente da nossa habilidade para planejar e é preciso lidar com elas. E no momento em que você percebe que justamente quando essas coisas inesperadas acontecem você tem alguém segurando a tua mão é que você descobre o que é o AMOR.

P.s.¹:Eu descobri.
P.s.²: Não, a saga de Nizclau e Formiguinha não foi cancelada por nossos patrocinadores. O final está próximo, como previsto no contrato, o último capítulo é o oitavo, a menos que haja uma comoção pública muito intensa, que toque os bolsos, er...digo... os corações de nossos patrocinadores =P

Nizclau e a Formiguinha [Capítulo VI]

- Fasù! Mers Fasù! Onde você está??
Nizclau havia chegado contente da escola. Queria contar à Formiguinha como seu trabalho tinha sido um sucesso. Tia Valéria adorou. Mas ela não aparecia. O mais estranho, porém, é que quando ele gritou houve uma movimentação estranha das formigas que estavam pelo jardim. Algumas ficaram paradas, outras se apressavam em direção ao formigueiro, mas nenhuma continuou o que estava fazendo.
Quando se deu conta disso, Nizclau achou que podia ter encrencado sua amiga.
Ela falou que não tinha notícia de formiguinhas conversando com humanos, ou falou o contrário?? Nizclau estava confuso. Não sabia o que fazer, as formiguinhas continuavam estranhas. Elas podem me escutar, o que será que vai acontecer com Fasù?
Nizclau estava desolado. Foi para o seu quarto para ficar sozinho. Não sabia o que fazer.
Neste instante, no salão do formigueiro, Fasù era levada pelas autoridades para ficar na presença da rainha. A Formiguinha não entendia o que estava acontecendo e seria a primeira vez que veria a formiga rainha de perto, o que a deixou ainda mais nervosa.
Quando entrou no sala real e viu a rainha, escutou seu nome e ficou apavorada:
- Mers Fasù, sua presença foi aqui requisitada para que esclareça como mantém contato com humanos.
Fasù ficou espantada. Como eles sabiam?
- Err, na verdade eu só mantive contato com um humano, e mesmo assim, uma criança, vejam só!
- Mas explique! Sua descoberta pode ser o início de um avanço na ciência de todo o filo dos artrópodes!
Fasù, então, percebeu que sua posição não era de desvantagem, e notou que a rainha era bem menor do que imaginara. Resolveu contar tudo o que aconteceu e como ficou amiga de Nizclaudinho.