17 maio 2012

Futuro

Essa vida de estudar para concursos é no mínimo enlouquecedora - é, esqueci de avisar, mesma ladainha dos últimos tempos, mas se estás lendo é porque queres. O fato é que não se tem tempo. O tempo que se tem, e que parece infindável para as pessoas que nunca estudaram para concurso - vestibular não vale! - é totalmente direcionado para uma atividade exclusiva: estudar. Só que como são pessoas e não máquinas que estudam, de modo geral, o aproveitamento do estudo não se mantém constante durante as seguidas horas do dia, ou durante os dias da semana. Como tem tempo para estudar, o concurseiro, a pessoa que estuda para concursos acaba por ter alguns momentos mais propensos a reflexões - principalmente sobre a sua vida, nas três dimensões temporais: passado, presente e futuro, e nesta última com mais afinco e insegurança.
A questão é que me peguei viajando nisso no meio de uma vídeo-aula de direito previdenciário. E fiquei pensando: será que algum dia eu vou ser realizada com o meu trabalho? E eu falo realizada no sentido de satisfeita com o trabalho que desempenho, satisfeita quase orgulhosa. Não tou falando de status, de ocupar um supercargo de autoridade pública, nada disso. Falo da sensação de esforço recompensado, de cumprir o seu dever. E então me pergunto: eu tenho vocação pra quê? Não consigo encontrar uma carreira jurídica, ou não-jurídica, que acelere as batidas do meu coração, que me faça querer chegar lá de todo jeito, não! É como se qualquer função que eu venha a desempenhar se resuma a um feixe de tarefas que precisam ser concluídas. E aí percebi que isso não traz realização. Então fiquei desestimulada para estudar e prestar um concurso de uma carreira que eu não escolhi, mas a que fui levada a fazer por circustâncias de tempo e espaço. E agora estou angustiada achando que não vou encontrar nada que me satisfaça plenamente nesta vida.  

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