Este texto bem que poderia ser uma continuação do "Crianças são surpreendentes". Mas não é. Não é, porque o foco é totalmente diferente. E poderia ser porque começa na fase após a infância.
Durante a chamada pré-adolescência as pessoas [não me excluo, apenas acho que em terceira pessoa vai ficar melhor=D] desenvolvem uma certa aversão aos pais. É como se a presença deles perante os amigos significasse a ruína da imagem de independência que se quer passar para os companheiros.
Eu já passei dessa fase. Faz um tempinho, até. Não tenho problema algum em "ser vista" [soa até engraçado agora] com meus pais. Aos 20 anos eu consigo enxergar meus pais de uma maneira diferente. Afinal, são eles que sabem quem eu sou, e são eles quem, de fato, vai estar ao meu lado - independentemente do que aconteça. E eu posso ver boa parte do que eu sou no que eles me ensinaram.
Hoje, eu consigo enxergar as pessoas mais velhas com admiração. E respeito. Porque chega um momento na vida em que as palavras das pessoas mais velhas não são escutadas como uma obrigação, por uma criança desatenta. Elas soam como lições de experiência, e são ouvidas por um jovem curioso.
E foi por ouvir tais lições que me motivei a escrever este texto.
Ouvir minha tia-avó, aos 72 anos, dizer que a vida dura um minuto, me fez perceber quantos preciosos segundos eu perco reclamando. Quantas queixas insensatas eu já me fiz - a aos outros-, quantas maravilhas a vida proporciona e eu desperdiço ou não dou o devido valor.
Ouvi-la dizer que a gente não tem a chance de passar a vida a limpo não foram coisas que eu nunca escutei, mas só desta vez eu ouvi.
E eu me senti idiota de um dia ter sido aquela pré-adolescente à que me referi no início do post.
Ouvi-la me fez peceber que eu não tenho que ser perfeita, eu tenho que tentar acertar - os erros existem, a gente só não deve mantê-los vivos por muito tempo.
Porque a perfeição é traiçoeira. Quando alguém te diz "você é perfeito" acaba de destruir a relação. E a minha justificativa pra isso é simples. Se você é perfeito, ao sinal do primeiro e ínfimo defeito você "se mostra" outra pessoa. Uma criatura diversa da que despertara tanta admiração.
E na pressa em que a vida passa a certeza é de que não há um sempre, mas um hoje.
;* tia Lúcia.
3 comentários:
Que legal minha filha que você descobriu que a vida é muito breve e devemos usufrui-la o máximo. E fazer o possivel para não ter que desperdiçar nenhum minuto,eu estou descobrindo agora......bjs sua mãe LÚCIA.
Perfeito.
;* pras duas!
Amo bem pouquinho! =P
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