18 outubro 2010

Sobre Tropa de Elite 2


Mais de uma vez eu já quis escrever aqui sobre algum filme que eu vi. Mas todas as vezes meu impulso foi refreado pela minha consciência de que não sou nenhuma entendedora de cinema pra vir aqui e escrever minhas críticas. Hoje, porém, meu impulso foi mais forte. Minha auto-censura não foi capaz de refreá-lo, até porque ninguém lê o que eu escrevo aqui, então posso colocar as besteiras que eu penso aqui (como sempre fiz) que as temidas críticas à minha pretensa aptidão de crítica da sétima arte simplesmente não chegarão.

Depois de tão longa justificativa à minha mediocridade, acho que posso começar a falar do filme. Impossível falar de Tropa de Elite 2 sem falar do 1! Assisti Tropa de Elite 2 no cinema. O 1 eu vi num dvd pirata, que saiu nas ruas antes da estréia nos cinemas. Achei a sequência mais filme que o primeiro longa, mas o que mais me marcou não foram os cabelos grisalhos do Coronel Nascimento (é, agora ele é Tenente-Coronel), nem os efeitos, nem ver deputado na cadeia, nem a surra que o Guaraci levou e nem mesmo a ingenuidade(?) do Mathias de achar que voltaria pro BOPE por boa vontade do Fabio e do Rocha.

O que me marcou mesmo foi a sensação pós-filme. Quando acabou o Tropa de Elite 1 o clamor público elevou o Capitão Nascimento ao status de herói nacional. Foi como se acendesse uma luz no fim do túnel – e não me venham com falso moralismo de que ele era torturador e tudo o mais, porque o Tropa de Elite 1 é explicado nos noticiários, todos os dias. Só não vê quem não quer. O Capitão Nascimento encheu o Brasil de esperança: Ainda tem jeito!. Tropa de Elite 2 teve o efeito inverso – pelo menos pra mim. O segundo filme traz o retorno do Coronel Nascimento à humanidade. Ele não só se dá conta de que não é tão fácil assim acabar com esse “sistema articulado por interesses escrotos” como assume pra gente. Ele mostra que não é o salvador que a gente queria que ele fosse (e que ele também queria ser). Ele simplesmente admite o que a gente reluta em enxergar: Não tem jeito! Pelo menos pelas próximas 5 gerações.

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