08 agosto 2006

Uma tarde em janeiro.

Senha 284.
O painel indica 275. Sento. Espero.
- Dois oito quatro! [em uma voz alta e firme]
Me levanto e vou responder aos questionamentos necessários para o preenchimento do cadastro. A atendente brinca com meu band-aid. Segundo ela o importante é não pagar a faculdade!!
Sigo para a Pré-triagem. 70 batimentos por minuto. 52kg. Pressão arterial 100x60.1,67m. E uma picada profunda no dedo mindinho direito. Enxugo o dedo. Sento e aguardo, novamente.
É a minha vez.
Sigo para falar com o médico - cuja filha “gasta muito dinheiro com faculdade”- e depois para a lanchonete.
-Achocolatado ou refrigerante?
Pego meu sanduíche de queijo e o meu achocolatado e sento na última mesa vazia. Um oficial da Polícia ou dos Bombeiros, não prestei atenção, mas estava fardado, enfim, senta à mesa.
Ele termina primeiro e guarda meu lugar na fila [eu havia chegado à lanchonete antes dele].
Sento e aguardo. Fico pensando como é estranho comer sem pagar. Eu já sabia que é assim, mas estranhei de qualquer forma. Um balançar de cabeça e é a minha vez. Repito meu nome completo e sigo para a penúltima cadeira da sala.
A auxiliar de enfermagem demora.
O rapaz, na última cadeira, pergunta se sou voluntária e eu respondo que sim. Ele ressalta que esta é a sua 5ª vez! Enfim a auxiliar chega. Atenciosa, libera o rapaz e inicia os procedimentos comigo.
Um senhor, um pouco acima do peso, ocupa a cadeira onde estava o rapaz.
- Respire fundo!
Obedeço e o procedimento ocorre rapidamente. Entre 7 e 10 minutos. O meu vizinho vai embora antes de mim, apesar de termos terminado ao mesmo tempo e de a bolsa dele estar com o dobro do volume da minha.
Rosa, a auxiliar, me esclarece que eu devo ficar um pouco mais. É a primeira vez e eu sou “tão magrinha”. Meia hora observando o vai-e-vem de pessoas na sala.
Rosa faz uma espécie de band-aid com esparadrapo e algodão e coloca no meu braço enquanto cita as preferências do filho a respeito de desenhos animados [o desenho Mulan está em exibição, com um sinal péssimo, não dá para perceber as cores].
Já posso ir. Levanto devagar e me sinto bem. Segunda rodada de lanche. Agora é preciso restabelecer os níveis de glicose [e não a quantidade de carboidratos como antes, acho que é isso], bolo de rolo e repito os 200mL de achocolatado. Saio e atravesso a rua. O ônibus está parado. Entro e sento. Nenhum sinal de “peripaque”. Volto para casa refletindo sobre uma espécie de sonho que passeava pelas esquinas dos meus pensamentos desde os meus 14 anos, teve permissão para acontecer aos 18, mas só realizei aos 19 anos: doar sangue!

2 comentários:

Fau disse...

Um texto medíocre, mas por ter me esforçado pra compô-lo, eu sinto orgulho!

Fau disse...

E daí que eu comento meus próprios textos? ¬¬

haha